Durante muito tempo, ser assessor de investimentos foi visto como o destino natural para quem desejava atuar no mercado financeiro sem um diploma em finanças ou um MBA internacional. Bastava estudar para a prova da ANCORD, conseguir o aval de uma corretora, e pronto — você estava autorizado a captar clientes e distribuir produtos de investimento no Brasil.
Mas os tempos mudaram. E, junto com eles, mudaram também as exigências dos clientes, o nível de sofisticação das carteiras e, principalmente, o peso da confiança.
Cada vez mais investidores buscam profissionais que não estejam atrelados a metas de venda, prateleiras engessadas ou estruturas de remuneração opacas. Eles querem conselheiros, não comissionados. Planejadores, não apenas distribuidores. E é nesse novo cenário que nasce a figura do consultor de valores mobiliários — um profissional independente, regulado pela CVM, que representa exclusivamente os interesses do cliente.
O assessor, antigamente chamado de agente autônomo de investimentos (AAI), atua como preposto de uma corretora. Seu papel é distribuir produtos, captar recursos e atender investidores dentro dos limites e interesses da instituição à qual está vinculado. Para isso, precisa apenas do ensino médio completo e da aprovação em uma prova padronizada organizada pela ANCORD em parceria com a FGV. Depois de aprovado, ele só pode atuar se tiver um contrato formal com uma corretora e estiver registrado como seu representante.
Já o consultor CVM segue um caminho completamente distinto. Ele atua de forma autônoma, sem vínculo com instituições financeiras, e responde diretamente à autarquia reguladora. Seu foco não é vender produtos, mas prestar aconselhamento técnico sobre investimentos e planejamento financeiro, de maneira personalizada, contínua e livre de conflitos de interesse. E para isso, a exigência é mais elevada: ensino superior completo, qualificação técnica comprovada e um processo formal de registro junto à Comissão de Valores Mobiliários.
Quem opta pela assessoria precisa:
Já quem escolhe o caminho da consultoria deve:
Após reunir a documentação necessária (diploma, certidões negativas, histórico profissional, plano de atividade, comprovantes de qualificação), o profissional deve abrir um processo digital no sistema da CVM e aguardar a análise técnica. O processo leva, em média, de 30 a 60 dias úteis (pode levar mais também). Uma vez aprovado, seu nome passa a constar oficialmente entre os consultores registrados do país — e ele pode atuar com independência plena, seguindo os princípios fiduciários estabelecidos pelas Resoluções CVM nº 19 e nº 179.
Aqui entra uma dúvida comum: “Preciso de CEA para ser consultor?”. A resposta é: não obrigatoriamente. A certificação CEA da ANBIMA, embora mais profunda e técnica do que a da ANCORD, é voltada para profissionais que fazem recomendação dentro de instituições financeiras. Ela pode ser usada como comprovante de qualificação técnica, mas o consultor também pode apresentar outras formações e comprovações equivalentes. Basicamente o CEA é o caminho mais direto e facilitado. O importante é demonstrar à CVM que está habilitado a exercer o aconselhamento com segurança e competência.
Na Ascenda Wealth, temos acompanhado de perto profissionais que decidiram deixar a assessoria e migrar para a consultoria. Em comum, todos enfrentaram um momento de ruptura: o desconforto com os limites do modelo comissionado, a frustração com produtos inadequados nas carteiras dos clientes, a dificuldade em crescer com consistência sem abrir mão da reputação.
Migrar exige mais do que trocar de certificação. Exige reposicionar sua narrativa, ajustar seu modelo de negócios, aprender a cobrar pelo valor entregue e abandonar o discurso centrado no produto. Exige, principalmente, construir um processo consultivo estruturado, com planejamento orçamentário, análise de riscos, revisão periódica de carteiras e acompanhamento ativo da vida do cliente.
Se você é um assessor de investimentos e sente que chegou no limite do modelo tradicional, saiba que existe um caminho possível — e ele passa pela consultoria.
Sair da ANCORD e registrar-se na CVM é apenas o começo. O mais importante vem depois: reconstruir sua proposta de valor, sua reputação e sua carteira com base na confiança, na técnica e na transparência.
Na Ascenda, nós acreditamos que o futuro do mercado financeiro pertence a quem pensa como consultor. Se esse é o seu próximo passo, conte conosco.