Carta Mensal Dezembro de 2025 - O Show da Vida.

Marcus V. Schönhorst W. Müller
Marcus V. Schönhorst W. Müller
December 2025
6 min

Carta Mensal - Dezembro 2025 | Ascenda Wealth - O Show da vida.

 

O Teatro da Normalidade.

Ao revisar e observar o cenário macroeconômico nos últimos dias de dezembro, me peguei lembrando de um filme que considero brilhante: O Show de Truman. Para quem não viu (sem spoiler),a trama acompanha a vida de Truman Burbank, um homem comum que, sem saber, é protagonista de um reality show encenado desde o nascimento. Cada pessoa ao seu redor é um ator, cada situação é roteirizada, e o mundo à sua volta foi construído para parecer real. Até que, um dia, ele percebe pequenas falhas no cenário... e começa a questionar tudo.

 

Esse filme me voltou à mente porque, de certo modo, 2025 foi um ano assim. A narrativa dominante nos mercados era de retomada, normalização, previsibilidade. Bolsas em alta, queda controlada de juros, inflação acomodada. Mas bastava olhar por trás das câmeras para perceber que os bastidores revelavam algo bem diferente.

 

2025: O ano que parecia firme, mas era frágil

 

A economia global navegou por mares aparentemente calmos. O Federal Reserve iniciou cortes de juros, recentemente levando a taxa para 3,75% ao final deste ano, mas com dissidências internas e sem consenso[1]. A divisão no comitê indicou que a previsibilidade está longe de ser recuperada. A inflação nos EUA segue acima da meta, e o crescimento estável esconde tensões distributivas e fiscais.

 

A Europa teve seu melhor desempenho de mercado desde 2021, impulsionada por bancos e defesa, mas à sombra de uma estrutura política cada vez mais fragmentada, com protestos, pressão migratória e crescimento da retórica política. A China manteve sua presença tática nas disputas tecnológicas e comerciais, enquanto o dólar fechou o ano enfraquecido por aqui e em vários emergentes (como pode ser observado neste gráfico produzido pela LSEG (Bolsa de Valores de Londres).

Valorização das moedas emergentes frente ao Dólar em 2025.

No Brasil, a Selic permaneceu em15%, mantendo a postura firme diante de uma inflação resistente e expectativas instáveis. A atividade seguiu morna, sustentada por transferências e um mercado de trabalho relativamente estável. Mas a dívida pública e a falta de avanço fiscal aumentaram a incerteza para 2026, ano de eleição presidencial. O risco institucional permanece como um freio invisível e muito potente. O governo criou, desde 2023, mais de 4 mil novos cargos comissionados, passamos de 23 ministérios para 39. Obtivemos a maior arrecadação em 20 anos, foram mais de 27aumentos de impostos nos últimos 3 anos. O impostômetro registra incríveis 3,9trilhões em impostos (só em 2025), 149 dias de trabalho apenas para pagá-los.[2]

Minha opinião pessoal aqui, sem viés político algum, é que a reforma administrativa foi feita sim.

 

Olhando para tudo isso, a conexão com Truman parece inevitável. A narrativa macroeconômica global (e principalmente brasileira) pode ter parecido coordenada e bem iluminada, mas os pequenos estalos nas estruturas mostraram que muito do que parece "normal" é apenas cenografia.

 

2026: Transição sem manual

 

O ano que se inicia será um teste de nervos, especialmente para quem ainda busca certeza em um mundo que se move por zonas de sombra. A política monetária global seguirá sem um vetor claro: o Fed dividido, o BCE cético, e os mercados emergentes lidando com pressões fiscais, cambiais e sociais.

 

O Brasil entra no ciclo eleitoral com uma retórica política mais agressiva e desconectada da realidade fiscal. A agenda de reformas está travada e os custos do imobilismo começam a se acumular. Na geopolítica, a reconfiguração das alianças comerciais e o aumento de coerção econômica e tecnológica continuarão a moldar o mapa de riscos globais.

O que mais aprendemos em 2025 é que apesar de termos acesso rápido e abundante a mais informações, parece que ficou mais difícil modelar e prever o futuro. Filtrar ruído e desinformação vai se tornar cada vez mais difícil.

 

Allocation: nosso papel no mundo real

 

Bom, em meio a essa paisagem volátil e dissonante, nosso papel é garantir que cada família sob nossa responsabilidade tenha paz, previsibilidade e um plano que resista aos ciclos. O allocation, para nós, não é uma resposta ao mercado, mas à vida. Não queremos, nem buscamos ter ativos da moda, rentabilidades extraordinárias. Queremos ser constantes, perenes. Esse jogo é uma maratona, não uma corrida.

 

Por isso, mantivemos nossa abordagem centrada em disciplina, rebalanceamento e proteção real. Em 2025,evitamos — por mérito do nosso comitê de análise e do nosso processo de alocação — armadilhas como o colapso do Banco Master, que pegou muitos investidores desatentos à estrutura de riscos. Evitamos também o grito desesperado de influencers que “mandaram” nossos clientes comprarem dólar a R$ 6,00 reais no início do ano, entre outros tantos ruídos.

 

Encerramento: sair do estúdio, viver o mundo

 

Assim como Truman escolheu atravessar a porta e encarar o mundo real, nosso compromisso para 2026 é continuar olhando além do palco. Não nos guiamos por promessas, mas por método. O efeito manada definitivamente não nos afeta. Não reagimos a ruído, mas interpretamos sinais. Seguimos atentos ao teatro, mas posicionados no mundo real.

Que 2026 seja um ano de escolhas claras, menos ansiedade e mais direção. A Ascenda segue ao seu lado como lastro e referência.

 

Ascenda Wealth

A Ascenda existe para organizar, proteger e expandir o patrimônio de pessoas e empresas ao longo da vida, por meio de planejamento financeiro profundo, educação contínua e gestão isenta.

[1] Ver discurso de Christopher Waller (17/11/2025), Philip Jefferson e Beth Hammack em declarações posteriores.

[2] https://revistaoeste.com/economia/com-aumento-de-impostos-no-governo-lula-carga-tributaria-bate-recorde-historico/
https://www.estadao.com.br/economia/governo-lula-cargos-comissionados-recorde-2025/

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Marcus V. Schönhorst W. Müller
CEO, Ascenda Investimentos